Como anda a sua autoconfiança? Sente que precisa desenvolvê-la mais para alcançar satisfação profissional? Entenda o poder da postura corporal no aprimoramento da autoconfiança e como isso afeta o trabalho de um psicólogo

Você atua ou pretende atuar com psicologia clínica? Trata-se de uma área de atuação que demanda boas habilidades interpessoais, certo? A comunicação é a principal ferramenta de trabalho para realizar avaliações psicológicas com mais eficácia. É no contato e na conversa com o paciente que o psicólogo extrai informações essenciais para fazer seu trabalho. Nessa interação, a comunicação não verbal do paciente também pode dizer muito. O poder da postura ao comunicar aquilo que, por vezes, pode ser difícil de ser dito, é enorme. 

Você já parou para refletir sobre o fato de que essa avaliação de comportamento não é exclusiva do psicólogo e pode acontecer também de forma mútua? A percepção entre psicólogo e paciente influencia no estabelecimento da conexão necessária para o diálogo e para a progressão da avaliação psicológica. 

Como anda a sua autoconfiança em relação a essa dinâmica?

O poder da postura na visão que o outro tem de você

É sabido que até mesmo a abordagem, ou as abordagens utilizadas pelo psicólogo em seus atendimentos pode ditar como se dará a interação com o paciente. O padrão é que o profissional seja imparcial e empático. Porém, enquanto alguns profissionais fazem questão de ser, de certa forma, mais distantes, outros não vêem problema em fazer o contrário.

A questão é que a percepção que o paciente tem de você, enquanto profissional, pode determinar se ele dará ou não continuidade à psicoterapia. Afinal, o julgamento das pessoas e sobre pessoas nos leva a tomar decisões, inclusive, grandes decisões. 

Decidimos se gostamos ou não de alguém, se nos sentimos à vontade com aquela pessoa, se vamos contar com ela em algum momento, para algum fim. Decidimos se vamos contratá-la, se vamos continuar trabalhando com ela, se vamos despedi-la.

Na dinâmica de percepção entre psicólogo e paciente, transmitir confiança para o paciente tem a ver com desenvolver confiança, em primeiro lugar. Como anda a sua autoconfiança?

O poder da postura na forma como você se vê

Amy Cuddy, psicóloga e pesquisadora, fala em sua TED Talk sobre como a linguagem corporal guia quem uma pessoa é. Ela defende que, assim como nossa postura influencia na forma como somos vistos por outras pessoas, ela também influencia como nós nos enxergamos. Mais do que isso, essa percepção impacta diretamente nas dinâmicas de poder estabelecidas em diversas situações do dia a dia. 

Uma pessoa dominante, é aberta, literalmente. Ela se impõe, ocupa espaço ao gesticular, se sente à vontade fazendo isso. Já uma pessoa pouco confiante se fecha, se encolhe e se acolhe, se faz menor encurvando sua postura. Além disso, ao interagirem, as pessoas tendem não a espelhar o comportamento de outra, mas a fazer exatamente o contrário. Se uma se impõe, a outra se diminui.

Amy Cuddy fala sobre como seus estudos mostraram uma diferença entre os gêneros nesse sentido. Homens e mulheres igualmente qualificados apresentam níveis diferentes de autoconfiança. 

Fisiologicamente, nossos hormônios influenciam nossa capacidade de dominar e de lidar com estresse. Diante disso, os homens, ainda hoje, se destacam pela sua autoconfiança, que de forma geral, é estimulada por fatores fisiológicos (alta de hormônios de dominância e baixa dos hormônios do estresse) somados a aspectos culturais e sociais presentes na estrutura da sociedade. 

Nessa jogada, as mulheres, infelizmente, foram percebidas nos estudos de Cuddy como as que têm a tendência a se diminuir no quesito da postura corporal e da atitude. 

O poder da postura na atuação da profissional mulher

Sem dúvidas, todo o histórico social e cultural que impacta mulheres até hoje influencia diretamente em sua autoconfiança, ou melhor, na falta dela. Esse conteúdo sobre a importância da representatividade no mundo dos negócios levanta alguns pontos sobre essa questão: “A autoestima e autoconfiança em relação a questões cognitivas e intelectuais são pouco estimuladas nas mulheres desde a infância”. 

Com a pauta da representatividade e empoderamento feminino super presentes no debate do mercado de trabalho e do empreendedorismo hoje, discute-se muito sobre a importância de desenvolver autoconfiança nessas profissionais. Muitas outras, já ocupando posições de liderança e conduzindo empresas, projetos e iniciativas a resultados de sucesso, comprovam que, na prática, pessoas, independente do gênero, podem ocupar posições de poder e liderança e exercer um bom trabalho.

No caso do ramo da psicologia, discutir sobre o tema da autoconfiança das mulheres, e formas de estimulá-la, é altamente produtivo. A grande maioria dos profissionais que atuam nessa área no Brasil são mulheres. Dados numéricos específicos podem ser encontrados na tabela do Conselho Federal de Psicologia, que mostra os número de profissionais separados por gênero em cada estado do país. 

Veja alguns dos estados com maior número de profissionais da psicologia indicados até Janeiro de 2020:

  • São Paulo: 96.588 mulheres e 14.072 homens.
  • Rio de Janeiro: 39.431 mulheres e 6.122 homens.
  • Minas Gerais: 35.471 mulheres e 6.245 homens.
  • Rio Grande do Sul: 21.539 mulheres e 2.633 homens.
  • Bahia: 15.245 mulheres e 2.408 homens.

O poder da postura no processo de aprimoramento pessoal

Pessoas poderosas tendem a ser assertivas, confiantes e otimistas. E é importante que todo profissional, independente de seu gênero, conquiste a capacidade de implementar a autoconfiança, tanto para se colocar no mundo em geral, como indivíduo, quanto para se posicionar e se comunicar melhor na vida profissional. Por exemplo, com pacientes em atendimentos clínicos. 

Segundo a pesquisa de Amy Cuddy, os líderes mais eficazes são aqueles com alta capacidade de dominância e que são capazes de reagir calmamente ao estresse. Afinal, dominar sob alto nível de estresse também pode levar a resultados negativos. Já com o estresse controlado, é possível ir longe. Portanto, podemos concluir que quanto menos reativos ao estresse somos, melhor é nossa capacidade de dominância. 

Diante disso, o grande questionamento da psicóloga e pesquisadora é: É possível fingir que você se sente poderoso e autoconfiante até que isso se torne verdade? 

A postura e atitudes de uma pessoa confiante podem vir naturalmente, mas também podem ser desenvolvidas. A pesquisa e, curiosamente, a própria experiência pessoal de Cuddy, demonstraram que os comportamentos não verbais, nossa postura corporal, poderiam não só influenciar na visão que temos de nós mesmos, mas também nos influenciar a mudar o que somos, de fato, e, assim, alcançar nossos objetivos. 

Se preocupar em estar com uma postura ereta, confiante, aberta, faz você parecer, se sentir e também se tornar mais poderoso em seu meio. Fazer isso alguns minutos antes de interagir com um paciente no consultório pode estimular a produção de hormônios de dominância e reduzir os de estresse. As “poses de poder” propostas por Cuddy em sua TED Talk contribuem para um melhor desempenho.

 

Conquistar autoconfiança impacta diretamente na satisfação profissional. Desenvolver autoconfiança é uma forma de abrir espaço para que você deposite, verdadeiramente, o seu potencial pleno na atividade que está prestes a exercer. Se doar em sua atuação profissional e sentir-se competente pelo que está construindo é, sem dúvidas, um fator importante para atuar de uma forma própria, customizada e, principalmente, ser feliz nesse processo.

Agora que você absorveu essas informações sobre o poder da postura e da autoconfiança, pretende construir uma atitude nesse sentido, e aprimorar sua atuação profissional? Continue acompanhando os conteúdos da Espiral de Forças. Nosso foco é auxiliar no trabalho de profissionais que atuam com processos de orientação e produzimos conteúdos diversos, pensados para impactar positivamente a sua atuação profissional.

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